Os doze trabalhos do ócio — segundo trabalho
Acontece que sobre todas as coisas viventes e orgânicas sobre a terra, deu-se um nome: o poeta é um nomeador
Antes de mais nada:
O segundo trabalho
Escolha uma coisa qualquer — de preferência uma dessas que você já não vê.
Uma árvore, por exemplo. Ou uma pedra. Ou um poste. Tanto faz, desde que seja algo que a linguagem já tenha resolvido por você. Algo que, ao ser nomeado, desapareça.
Não vá para pensar sobre isso. Não vá para escrever sobre isso. Vá para ver.
Comece pelo nome: “árvore”.
E repare no quanto ele é insuficiente.
Fique diante dela por alguns minutos. Em silêncio. Não espere que algo aconteça, não exija, mas observe quando acontecer. Deixe que o olhar se canse das primeiras respostas. A forma geral, o contorno, a ideia de tronco, de copa — tudo isso é ainda muito pouco.
Insista. Então, e só então…
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