Os doze trabalhos do ócio — primeiro trabalho
Sim, você é artista, e sim, você deve tratar o trabalho como ofício. Mas — veja bem — nada te obriga a ser uma máquina. Somos alimentados pela vida, por que não vivê-la?
Às vezes é isso mesmo, leitor: você fez tudo e, então, fez tudo novamente, e não saiu um verso sequer. Vou responder à sua inquietação numa sentença curta: nada será criado sem matéria-prima.
Seu erro tenha sido, muito provavelmente, a gana de produzir, produzir e produzir, sem alimentar, alimentar e alimentar.
Para isso, criei os Doze Trabalhos do Ócio: uma espécie de terapia sensorial, contemplativa e experiencial para gente que trabalha com criatividade. É mais fácil produzir com a certeza de que temos muito a colocar em verso do que ficar catando cavaco com sílabas até ser reduzido a escrever um poema sobre escrever poemas.
Cada trabalho exigirá de você apenas deleite. É uma ironia das mais deliciosas, porque ócio não é trabalho e trabalho não é ócio. Um nega o outro, pela raiz etimológica. Mas, para nós, para quem a poesia é permitida — e permite contradições como se fossem uma única coisa —, será isso: um trabalho que exigirá deleite.
Me acompanhe, este é o primeiro:
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