Lições de composição: o Moto-Perpétuo
Um exercício que testará sua capacidade de manter-se firme ao redor de um tema
Eu comentava, no último artigo-exercício, que exercício sem finalidade não ensina nada, apenas ocupa tempo e simula progresso. A imitação, tão repetida quase como fetiche, serve de pouco se não sabemos exatamente quais parâmetros são importantes de serem assimilados. Quando se imita sem saber o que se busca, o exercício vira muleta pedagógica e anestesia de produtividade: fazer algo que parece útil é melhor do que não fazer nada. Funciona se você quiser iludir seu ego no momento, mas nada mais que isso.
Aprender exige direção, ainda que não tenhamos total consciência do percurso (falo estritamente da relação aluno-professor); ninguém aprende a andar de bicicleta entendendo cada variável do equilíbrio, mas há um fim claro: pedalar. O mesmo vale para a escrita. Fazer mais não é melhorar. Melhorar é escrever com teleologia, com alvo, com critério. Sem isso, o esforço causa cansaço ao invés de recompensa.
No exercício de hoje, teremos apenas uma missão: desenvolver um pouco mais a capacidade de fluidez — tornar o poema o mais suave possível, de forma que os versos e as estrofes transladem de um lado para outro sem rupturas abruptas.
O exercício:
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