Inscrições Abertas para a Oficina de Poesia — A Arte do Verso
Porque você, poeta, pode e deve se entregar ao ofício, antes que a vida passe, e com ela todos os poemas que você poderia ter escrito...
Deixe-me contar uma história:
As oficinas do Renascimento eram ateliês ou espaços colaborativos onde artistas, aprendizes e assistentes trabalhavam juntos para criar obras de arte.
Todo renascimento artístico se assenta quase que exclusivamente nesses ambientes.
Para a época, eram o eixo de desenvolvimento das mais variadas artes. Muita poesia, escultura, pintura e música surgiram dessas oficinas.
Por que as oficinas eram tão importantes para o feitio artístico?
Nelas, o aprendizado se dava de forma prática. Jovens e aspirantes aprendiam observando os mestres trabalhando, imitando suas técnicas e realizando trabalhos progressivamente mais complexos.
Da Vinci e Botticelli estudaram na mesma oficina. Michelangelo, Rafael e Tiziano foram mestres em outra delas. Na poesia, Boccaccio tornou-se o maior estudioso de Dante em sua época. Ele foi, também, a pessoa responsável por nomear a obra como a conhecemos hoje: A Divina Comédia.
Com essa história, quero trazer à tona um argumento: o de que artistas dependem de artistas para sobreviver.
Seja com apoio e motivação, seja com conselhos de ordem prática, de maneira direta ou indireta, o livre fluxo de ideias entre pares é fundamental para a criação, destilação, preservação e transmissão de técnicas.
Elas lapidaram não apenas as obras e artistas que conhecemos hoje, mas também a maneira como a arte era produzida e consumida na Europa daquela época.
Argumento ainda que, é por meio do mesmo processo que encontramos a degeneração das artes, o desrespeito estético e até mesmo o aplainamento da ousadia moral que poderia dar origem a um sem-número de obras exitosas.
Hoje em dia o tipo de ambiente que mais se aproxima das salutares oficinas renascentistas, embora transformado em estrebaria por uma legião de infelizes mais ou menos civilizados, seriam os chamados “centros culturais”.
Sem entrar no mérito político da coisa (que todos sabemos existir), há alguns motivos pelos quais eu acredito que os centros não podem formar bons artistas.
Ei, escute: eu sei que você vai ler o texto todo, leitor querido, mas sei que alguns de vocês já acompanham meu trabalho e esperam por isso há muito tempo. Então, encurtando o caminho para vocês, que já chegaram aqui decididos:
Continuando.
A saber:
O feitio artístico requer um ambiente colaborativo, crítico e despretensioso.
Ambientes excessivamente críticos formam artistas desesperançosos e neuróticos — muitas vezes incapazes de avaliar com precisão o próprio trabalho.
Ambientes acríticos formam artistas mimados, acostumados a ouvir nada além da gritaria ególatra que em algum momento irrompe em todos nós.
Ambientes não colaborativos formam pseudo-artistas egocêntricos e sem empatia. Armados de opiniões ferinas, apoiam-se no pedantismo para disfarçar a completa falta de tino para o ofício e a indolência para com o trabalho artístico sério.
A competitividade faz com que erros sejam apontados com escárnio, artistas mais interessados sejam expostos e suas inseguranças violadas. Autores se apaixonam por suas obras e, cegos de vaidade, confundem-se com ela.
O produto desse lugar só poderia ser uma horda de adoecidos, criando arremedos de trabalhos.
Por experiência própria: quase nunca há um meio sensato onde trabalhar.
A “classe artística” brasileira
Considerando os espaços ocupados por muitos artistas brasileiros que ando observando, é assombroso que algo seja produzido.
A despeito das quantidades à granel de publicações novas todos os dias, das lamúrias e reclamações que recebo por e-mail e direct, a verdade é unânime: parece impossível formar-se um artista sério no Brasil.
Há, hoje, um contingente numeroso de produtores que não demonstra qualquer pudor em submeter o que chama de arte a critérios externos de validação, moldando forma e conteúdo para atender a públicos previsíveis ou às engrenagens algorítmicas de plataformas que premiam aquilo que se reduz ao menor denominador comum da experiência humana.
Se algum artista com um mínimo de talento e boa vontade prospera, parece exclusivamente pela boa estrutura pessoal ou familiar, por meio da força de caráter individual, pela inesgotável tenacidade ao lidar com as exaustivas séries de tentativa e erro, pelos esforços concentrados em evitar nossos ambientes cultural e social, que ativamente conspiram contra quem quer que ouse pisar fora da borda.
Essa é a realidade de quase toda a classe artística brasileira, abandonada aos ventos.
O artista sofredor
A ideia de que existe artista sofredor, destinado a transcender toda a adversidade pelo puro amor à arte, não passa de uma fantasia.
Essa romantização é fonte de sofrimento para o artista.
Sozinho, perdido, sem referências robustas, sujeito a inevitáveis comparações com todos os outros — sejam eles honestos aspirantes à arte, panfletistas das redes sociais, caçadores de cliques e vendedores da produção mais enlatada possível — o artista em formação também está sujeito à ilusão de que o próprio trabalho não tem valor algum, seja pela autoafirmação histérica, seja pela opinião ressentida de pares, travestida de crítica construtiva.
Sanar este problema e construir o ambiente ideal para o desenvolvimento artístico de poetas e apreciadores da poesia é o trabalho que tomei para mim. Porque não o tive e porque só pude proporcioná-lo — muito tardiamente — a mim e aos meus amigos de ofício mais próximos.
A questão que fica é: como fazê-lo?
O que é A Arte do Verso?
A Arte do Verso é uma abordagem da feitura poética que cria um ambiente de trabalho propício à formação de poetas competentes, evitando os arroubos líricos e o sentimentalismo barato, tão comuns no cenário poético mainstream brasileiro.
Atingiremos esse objetivo por meio da redescoberta da forma poética, do domínio de práticas consagradas pelos grandes poetas e da exploração intencional do arcabouço das maiores obras da história, requisitos indispensáveis para a boa Arte.
A Arte do Verso é uma resposta
Antes de criá-lo, eu me debrucei sobre o problema da formação artística por anos. Prestes a desistir, fui procurado por alguns conhecidos para dizer algumas palavras sobre o fazer poético.
Nessa oportunidade foi que me dei conta do abismo que separa o leigo do artista e da quantidade colossal de desinformação que circula em toda sorte de grupos online que se dizem artísticos.
Essas pessoas haviam assimilado uma visão distorcida da poesia, de sua técnica e de seu estilo, herdada de obras de poetas contemporâneos consagrados.
Entre elas, alguns amigos de longa data, com sólida bagagem cultural.
Ainda assim, a poesia comentada era decepcionante.
Isso fez com que eu questionasse qual a origem de tantas concepções errôneas. De onde vinham as regras sobre as quais eles ouviram falar, a noção de que a poesia é meramente uma ferramenta de expressão individual, de que bastam algumas poucas palavras aleatórias e um rascunho em nanquim para ser um autor consagrado.
Depois de muito vagar procurando as respostas para perguntas como estas, encontrei-me em um ponto onde, ou eu assumia para mim a missão de instruir e formar novos artistas no que eu acredito ser a melhor estrutura para o preparo poético, ou me contentaria em ver amigos e parceiros de estudos se perdendo ao dar com charlatães, vendedores de milagres e toda corja de desavergonhados que se vendem pelo título de artistas. São poucos os que podemos confiar, e há gente em abundância querendo aprender.
O que eu gostaria, no final das contas, é apresentar a vocês a estrutura tradicional responsável pela criação e desenvolvimento da maioria acachapante dos artistas competentes ao longo da história, por meio da oficina d’A Arte do Verso.
Aqui está o que isso significa:
Toda arte que se pretende bem realizada parte de um fundamento comum: a capacidade de reconhecer e aplicar uma estrutura sólida à obra.
O uso dessas estruturas depende, antes de tudo, de conhecê-las e de saber empregá-las conforme as necessidades e os objetivos de quem escreve.
Essa forma de compreender a arte e a beleza permite que o aspirante a poeta se aproxime da prática sem a sensação de estar sozinho ou perdido, trabalhando a partir de referências compartilhadas e de um vocabulário técnico que dá orientação ao fazer poético — em contraste com a produção contemporânea frequentemente marcada pela improvisação descuidada.
Criei a oficina A Arte do Verso para que iniciantes no ofício possam trocar experiências, compartilhar leituras e ideias, e entrar em contato com técnicas de escrita poética consagradas, desenvolvendo uma compreensão mais sólida dos diferentes modos de composição do poema.
Com isso, formamos não apenas um percurso coeso de estudo, técnica e prática da poesia, mas também um conjunto de obras que pode servir aos estudantes como base e ponto de partida para avançarem segundo suas próprias ambições.
Eis algumas opiniões de alunos sobre A Arte do Verso:
O Brian não tem pena dos poemas, espreme cada verso até o caroço. Assim ele te ajuda a perceber com mais rigor os mínimos detalhes que separam os ruins dos bem piores. Isso te ajuda mais do que imaginas.
— Fernando Jaepelt, Indaial (SC)
O Brian e a Arte do Verso me ajudaram a sair de uma depressão poética. Mais do que isso, me ensinaram a ver — através, a partir e além — da necessidade de apenas expressar sentimentos. O viver poético passou a ocupar, para mim, um lugar de equilíbrio entre o imanente e o transcendente, entre a técnica e a emoção. Aprendi a reconhecer beleza na disciplina, no esmero, na atenção ao fazer. Hoje, escrevo porque gosto de curar as palavras, dobrá-las, ouvi-las, cantá-las nas formas. Leio poemas como um paleontólogo, atento às camadas, aos vestígios, às estruturas que sustentam o tempo. E mesmo sendo um dos mais inexperientes entre meus colegas, sinto que, a partir da estrutura que o Brian propõe, amadureci de fato, passando a enxergar a poesia não apenas como expressão, mas como ofício.
— Claudionor Junior, São Paulo (SP)
A oficina do Arte do Verso é o curso mais completo para quem deseja aprender, de verdade, o que é poesia e como escrever mais e melhor: é realmente uma expansão de horizontes do que é poesia. Na primeira turma, aprendíamos de tudo: sobre a primeira leitura, despretensiosa, de um poema; a declamação e seus elementos feito postura, respiração, respiração circular, etc; leituras que iam dos poetas famosos aos desconhecidos, mas de qualidade; leitura crítica de poemas; escrita poética; e correções, que contavam com referências, exemplos concretos e pertinentes do que corrigir e como melhorá-los, nem que fosse aos poucos. Em resumo, aprende-se muito; é um repertório imenso. Vale muito a pena.
— Gabriel Andrade, São Paulo (SP)
Estou aqui um inimigo do ritmo. Perdido em contendas com a cadência. Aí chega o Brian na oficina do Arte e diz: calma, escuta, atenção. É assim, água mole e pedra dura. E cada vez crescendo mais em recursos para a expressão. Paciência e orientação: dois frutos a se colher na oficina do AdV.
— Francisco Brasileiro, Brasília (DF)
Eu sempre quis entender poesia, saber observar outros poemas e também absorver deles elementos que me ajudassem a melhorar a minha escrita. Foi através do Brian, no a arte do verso, que consegui realizar esse sonho. Tenho muito o que melhorar, mas consigo enxergar claramente minha evolução nesses últimos anos, posso dizer que consigo ler e diferenciar elementos intrínsecos nos textos, consigo escrever poemas e ter, não só a paciência, mas também a capacidade em observar falhas próprias, lugares onde posso melhorar etc. Escrever tem se tornado um prazer cada vez maior.
— Victor Hugo Nicéas, Lisboa, Portugal
A engrenagem da composição poética
Nos encontros da oficina, compartilharei tudo o que descobri em anos de experimentação, pesquisa e prática poética. Todas as técnicas e estratégias que eu mesmo utilizo para compor meus poemas.
Dessa forma, você poderá aprender com meus acertos, evitar os erros em que incorri e desfrutar de um caminho já pavimentado para alcançar o êxito artístico de maneira menos dolorida.
A duração de nosso trabalho é trimestral, começaremos agora em março e seguiremos até o meio de junho. Semanalmente nos encontraremos nas tardes de domingo, em videochamadas.
Aqui está tudo o que você garante ao acessar a oficina d’A Arte do Verso Hoje:
Um grupo exclusivo no Telegram, por onde faremos as chamadas, que serão gravadas e disponibilizadas na plataforma que utilizo, a Kiwify.
Seis exercícios poéticos em PDF, prontos para o trabalho imediato, que serão vistos e revistos durante as chamadas.
Três meses de assinatura gratuita do Substack A Arte do Verso
As cinco primeiras leituras gravadas do meu Clube do Livro: A Divina Comédia — Inferno
Garantia Incondicional
Ainda que o valor envolvido seja relativamente modesto, é mister explicitar os termos com clareza.
A decisão de entrar na oficina deve ser tranquila, sem expectativa inflada nem aposta emocional.
Por isso, durante 7 dias, você poderá acessar integralmente a área de membros, os materiais das aulas, o grupo de discussão e participar do primeiro encontro.
Esse período é suficiente para compreender a proposta, o método e o tipo de relação que a oficina estabelece com o trabalho artístico.
Se, ao final desse tempo, você concluir que A Arte do Verso não dialoga com o que busca neste momento, ou que simplesmente não faz sentido para você agora, basta me avisar.
O valor será estornado integralmente, sem justificativas, sem condições ocultas.
Devo deixar bem claro que sua escolha em permanecer deve ser consciente, porque o nível de exigência que tenho com meus trabalhos, uma exigência já conhecida, será redobrada aqui.
Um último esclarecimento
A oficina d’A Arte do Verso não foi pensada como um curso de cunho motivacional, nem como espaço de validação.
Ela parte do pressuposto de que, se você está lendo esse trecho, já percebeu em si uma certa inclinação estética. Já percebeu também que apenas sentimentos e lirismo não sustentam sozinhos uma obra.
Portanto, não almejo ajudá-lo apenas a “aprender a escrever melhor”, mas organizar o próprio ímpeto criativo, dando forma, limite e desenvolvendo o que antes era apenas impulso. É um trabalho que parte da arquitetura do poema, mas chega até aos confins da engenharia da alma afetiva que todos nós possuímos.
Diante disso, as possibilidades são poucas:
Haverá quem prefere permanecer exatamente onde está, insistindo nos mesmos comportamentos e esperando que algo, por mera repetição ou acaso, finalmente faça com que se desenvolva. É o “contar com a sorte” que abordamos no início dessa carta.
Haverá também quem escolha o caminho solitário, acumulando leituras (erráticas), tentativas (vãs) e erros (totalmente evitáveis). É um percurso legítimo, mas invariavelmente lento, fragmentado e custoso em energia.
E haverá quem decida atravessar esse trecho acompanhado, para trabalhar com alguém que já enfrentou os mesmos revezes e aprendeu a reconhecê-los de longe.
A oficina se dirige apenas a esse último caso.
E, neste caso, bem-vindo, poeta.
Brian Belancieri



Ainda analisa poemas no Instagram?
Tô dentro, Brian!